sexta-feira, 15 de outubro de 2010

A porta das traseiras dava acesso a um beco escuro e estreito. A água das chuvas encharcava completamente o chão transformando-o num lamaçal, mas, apesar da tempestade, sentiste-te aliviado por teres saído vivo daquele inferno. As chamas provocadas pelo óleo incendiado dos candeeiros começavam já a ver-se através das tábuas do telhado e não demoraria nada que o incendio atingisse proporções devastadoras, fatais para as velhas casas de madeira. Começaste a andar no meio da escuridão, procurando afastar-te rapidamente daquele local, mas, a poucos metros de distância, tropeçaste em algo e caiste no meio da lama.
Um gemer de dor fez-te perceber que tropeçaste nas pernas de um homem. Tratava-se do marinheiro a quem os outros acusaram de batotice, o que deu origem à escaramuça e que, tal como tu, conseguiu fugir para o exterior arrastando-se através da porta das traseiras. Do seu abdómen jorrava um rio de sangue quente. Não havia dúvidas: este homem foi baleado e estava a morrer.

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