De repente, sem nada que o fizesse prever, tudo mudou. Os quatro marinheiros que se encontravam a jogar às cartas envolveram-se numa acesa discussão, aparentemente causada pela batotice de um dos jogadores. Levantaram-se de rompante aos gritos e empunharam os sabres, virando-se contra o alegado batoteiro. Outros vieram em auxílio deste, mais pelo simples prazer de se envolverem numa escaramuça do que propriamente por motivos de amizade, e rapidamente se gerou uma batalha que virou o bar em pantanas. As mulheres aos gritos tentavam fugir por entre as estocadas das espadas, cadeiras e mesas voavam em todas as direcções, os candeeiros caíram e partiram-se, vertendo o óleo incendiado pelo chão. Rapidamente, voltaste a tua mesa lançando o caldo para o chão e baixaste-te por detrás dela, protegendo-te dos objectos arremessados pelo ar.
Foi então que ouviste o som de um tiro. O cheiro a pólvora queimada encheu o ar abafando todos os demais. Os gritos tornaram-se mais altos e o pânico apoderou-se da multidão que, atropelando-se, procurava agora sair pela estreita porta do bar. De repente, apercebeste-te da existência de uma pequena porta por detrás do balcão que dava acesso às traseiras do estabelecimento e esgueiraste-te por alí para o exterior.
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